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Crônicas

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A Utilidade do Fracasso

Faço análise há mais ou menos quinze anos, na verdade... quase dezesseis, hum... dezessete redondos anos pra ser sincera, afinal quem não sabe há quanto tempo faz análise? E bem mais da metade nada relacionada às necessidades da minha profissão, mas por pura neurose mesmo, da boa, gente, posso garantir! Dessas que faz cabrito entrar dentro d’água e Freudiano estalar os dedos de regozijo! Agora me senti o próprio Woody Allen, infelizmente, sem Nova York como cenário! Bom, mas voltando ao assunto, em tanto tempo de divã, na verdade poltrona (os moderninhos aboliram o tal móvel), já ouvi de um tudo, já derramei dolorosas lágrimas, já esperneei e até pasmem – dei boas e curativas gargalhadas. Mas, na última sessão quando falava à respeito de uma nova possibilidade de trabalho, que não tô lá muito certa de que darei conta, ouvi algo intrigante: - Acha que não vai conseguir? Que ótimo! Vá mesmo assim! Uns fracassos lhe fariam muito bem! Mas, como assim? E ele repetiu sereno, deixando entrever nada mais do que um leve sorriso. Não esperem nunca que um psicanalista vá dar uma explicação num momento desses, esqueçam! Ele vai fazer uma cara de sapiência mor, cairá em um silêncio com ar de superioridade e você que se vire com a batata quente! Decidi que não levaria aquilo à sério. Mas é claro que a coisa toda não saiu da minha cabeça – quem precisa não só de um, mas de “uns” fracassos? Pelo visto, EU. Comecei a pensar nos meus últimos trabalhos; todos chatos, monótonos, eu já sabia exatamente como proceder e confesso que a falta de motivação andou me rondando ultimamente. Dei pra sonhar com coisas diferentes, em outra cidade, até quem sabe uma formação no exterior... Mas nada ganhou muito corpo – ideias iam e vinham, mas não me empolgavam por muito tempo! Tudo parecia fácil demais, enjoado... Enquanto pensava com meus botões, via meu sobrinho brincando no vídeo game, ora um ora outro jogo. Ele tirava todos de letra, e a medida que ia passando as fases sua carinha entediada tava ficando cada vez pior, até que irritado arremessou o controle longe: - Que isso, Fredinho? Perguntei ainda equilibrando o bólido eletrônico, depois de evitar sua queda livre. “ Ah, isso tá um saco, tia! Já sei jogar tudo!” E toma de fechar o tempo. Pensei rápido, e aproveitando a ausência do meu sobrinho mais velho, coloquei seu jogo novo, obviamente difícil demais pro pequeno Fred, que toma de perder uma “vida” atrás da outra! E a cada nova derrota ele botava a linguinha entre os dentes e seguia todo empolgado gritando cada vez mais alto! É...entendi! Ás vezes por estarmos tão fortemente atados à nossa zona de segurança, tudo vai parecendo fácil, dominado e sem graça e vamos perdendo a motivação, como no Rocky, perdemos – the eye of the tiger! E pra voltar a lutar com a mesma gana de novo, nada como uns bons fracassos! Tentem alguns! É provável que descubram um novo ânimo ou apenas, quem sabe, passem a dar mais valor ao que já conquistaram! À luta, galera! Sempre!

por Carolina Resende


A Utilidade do Fracasso Reviewed by Ricardo Leão on 10:53 PM Rating: 5

2 comentários:

  1. Nada como uma "saculejada" na poeira e no mofo!! rsrs

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  2. Acho que tô precisando disso, Carol, mas não sei nem por onde começar... rsrs.

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