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Crônicas

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Web Book - Eu...Vc - Capítulo 3









“Oi amor! Desculpe demorar a responder, o salão estava uma loucura, já deve estar na rodoviária, já comeu? Já comprou a passagem? Depois me confirma, to correndo, bjs. Eu...Vc”




Beto coloca rapidamente o celular em um dos bolsos de seu colete de fotógrafo, pois seria o próximo da fila a comprar a passagem e deixa escapar um sorriso discreto imaginando que Fernanda esteja uma pilha de nervos e colocando a todos no salão, malucos. Sua vez chega, Beto se dirige ao balcão e pergunta:

 
       - Qual o próximo horário disponível para Treze Tilias?
       - O próximo ônibus partirá as 14:30.




Beto dá uma rápida olhada em seu relógio e descobre que não dará tempo para almoçar, pois o atraso no voo não estava em seus planos então decide comprar qualquer lanche e comer durante a viagem, a vontade de encontrar Fernanda era maior que sua fome.

       - Ok, eu vou querer pegar este sim.
    - Qual poltrona o senhor gostaria? A atendente pergunta mostrando o monitor com as poltronas vagas.
       - Pode me tratar por você, ou Beto. Hum... A número 33, por favor.


A moça imprime o bilhete e entrega para Beto que aproveita para fazer uma pergunta:
      

     - Você pode me informar algum lugar aonde possa comprar um lanche rápido e que seja gostoso, pois não quero perder o ônibus?
       - Eu adoro pão de queijo, o senhor, ops! Perdão, você gosta?
       - Eu adoro! Ótima ideia! Onde fica?
     - Perto do balcão de informações, não tem como errar vai sentir aquele cheirinho gostoso!
      - Obrigado pela dica - responde com um sorriso tímido - Deixa eu correr assim não perco o ônibus!
       - Por nada. Responde a atendente retribuindo com um sorriso  e completa falando: - Treze Tilias é uma cidade linda, uma colônia austríaca conhecida como a Tirol Brasileira, uma cidade muito romântica, tenho certeza que você vai adorar e tirar lindas fotos!

 
 

Beto então repara no crachá da atendente e descobre que seu nome também é Fernanda, e com aquele ar de surpresa estampado na cara agradece:



     - Obrigado Fernanda! Aliás, um belo nome o seu! Vou indo, tchau!       - Por nada Beto, e tenha uma ótima viagem e curta o visual, é lindo! Tchau!



Beto então segue seu caminho direcionado pela atendente para comprar seu lanche, caminhando tranquilamente por entre aqueles corredores repletos de pequenas lojinhas que parecem ter parado no tempo, observando atentamente em suas vitrines artigos que há muito não via. Pára e presta atenção em um relógio despertador antigo, porém em varias cores modernas, aqueles que funcionam a corda com dois sinos de metal em cima e um martelo no meio e que despertam com um som de alarme de incêndio - não tenho tempo, mas preciso me lembrar de comprar um destes na volta - pensa Beto, coisas que você só encontraria mesmo em uma rodoviária.



Sentindo-se um pouco mais seguro, pois acostumado a entender os recados do universo viu que o fato da atendente sugerir pão de queijo sem saber que ele é maluco por pão de queijo, mencionar que Treze Tilias é uma cidade romântica sem saber que ele está a caminho de conhecer o amor da sua vida, além é claro do fato dela simplesmente se chamar Fernanda - não seriam apenas simples coincidências.



Com um saquinho cheio de pães de queijo, uma garrafinha de refrigerante e duas de água, ele chega à plataforma de embarque e ao reparar que a porta do ônibus ainda esta fechada procura um lugar calmo e tranquilo para sentar e comer os quentinhos e deliciosos pãezinhos. Tirou a mochila, velha companheira de muitas viagens das costas e colocou no chão, acomodou seu inseparável notebook na lateral da cadeira e sentou. “Ufa! Finalmente sentei” – fala baixinho enquanto espera seu corpo assimilar aquela parada e relaxar. Alguns minutos depois quando ele resolve abrir seu saquinho de pães de queijo, ele repara em uma senhora gorda, com um vestido florido provavelmente feito da cortina de sua casa, que caminha em sua direção carregando inúmeras malas também feitas do mesmo tecido. Bem desajeitada e com um sorriso sem graça ela senta bem ao lado dele.



“O que será que o universo quer dizer com isso? Com tanta cadeira vazia por que esta senhora resolve sentar justamente ao meu lado? Agora só me resta esperar a porta do ônibus abrir e lá dentro eu faço meu almoço” Pensa Beto enquanto repara na senhora ao lado que se mantém em silêncio e com o olhar fixo no seu saco de pães de queijo.



Incomodado com aquela situação, Beto mantém o olhar atento no ônibus e ao perceber que o motorista se encaminhava para a porta ele subitamente se levanta, apanha sua mochila, seu notebook e caminha rapidamente para ser um dos primeiros a embarcar. Ao entrar, caminha pelo corredor até a sua poltrona de número 33, localizada quase no final do ônibus, então se senta, dá uma olhadinha pela janela, acomoda seus pertences. Tira seu surrado all star preto, reclina sua poltrona, abre a garrafa de refrigerante já não tão gelado, abre o saco de pão de queijo já não tão quente e começa a degustar seu almoço. Lá pelo terceiro ou quarto pão de queijo eis que surge dentro do ônibus a senhora gorda e seu vestido florido. Subitamente aquele pensamento vem à cabeça de Beto: - Ai não, do meu lado não! Por favor, do meu lado não! Enquanto ela caminha lentamente, passando despreocupada por entre as poltronas dos ônibus, Beto abaixa a cabeça e já agora em seu mantra continua em voz baixinha -- do meu lado não, do meu lado não, do meu lado não. De repente, ele escuta aquela voz perguntando: - Aqui é o numero 34? Beto levanta a cabeça lentamente e com um sorriso amarelo fala para a senhora: - Sim, acredito que seja.



A senhora já bem animadinha senta ao lado de Beto, abre sua bolsa de mão florida também na mesma estampa de seu vestido e tira de lá um saco de papel parecido com aqueles que de padaria, vira para Beto e fala:



    - Legal! Você também gosta de fazer um lanchinho dentro do ônibus? Comenta abrindo o saco de papel e tirando uma “cueca virada” (espécie de pão doce muito comum no Paraná) e logo oferecendo a ele - Quer provar uma?
      - Obrigado, quero sim! Responde Beto já conformado com o que o universo preparou pra ele e retribuindo a gentileza, oferece um pão de queijo a sua companheira de viagem.
   - Obrigada, hum! Adoro pão de queijo, sabia? Já com a boca cheia, completa: - Muito prazer, meu nome é Matilde, qual é a sua graça?
      - Meu nome é Beto e o prazer é todo meu.



Enquanto Beto e sua mais nova amiga Matilde fazem o seu lanchinho e batem um papo gostoso, vamos falar um pouco sobre ele. Beto nasceu na cidade de São Paulo, filho único, seus pais se divorciaram quando ele tinha apenas sete anos, seu pai mudou para o Rio de Janeiro, como resultado disso ele passou o final da sua infância e adolescência viajando entre uma cidade e outra, sempre acompanhado de sua câmera Polaroid, dada pelo avô logo após a separação dos pais; que ao presentear aquele jovem rapaz lembrou-o de registrar somente os bons momentos da vida, pois eram as únicas coisas que deveríamos guardar na vida. A curiosidade de menino o transformou em um grande observador e entre uma ponte aérea e outra cresceu vendo seus pais fracassarem em suas tentativas de reconstruir suas vidas. A fotografia antes uma brincadeira de criança tornara-se agora uma paixão em sua vida e o sonho de alcançar lugares mais distantes e registrar mais “bons momentos” o tornaram um fotógrafo profissional. Agora um cidadão do mundo, solteiro e sem filhos, aos 40 anos, nunca teve tempo de se envolver seriamente com nenhuma mulher, seus fiéis companheiros eram sua mochila, sua calça jeans lavada, seu tênis all star e sua câmera fotográfica eternamente pendurada em seu pescoço.



Um pouco tímido com um lado criança bem marcante, o seu bom humor é a sua principal característica. Observador e curioso por natureza ou pelas circunstâncias da vida, escondem-se em sua aparência calma e tranquila um homem de personalidade forte e marcante. Sempre tem a palavra certa para o momento certo, calcado talvez em sua experiência pelas estradas da vida, sempre disposto a ajudar a quem por ventura cruzar seu destino. Um amigo com coração de menino ingênuo. Educado, gentil, charmoso, com ar de galanteador. Um homem honesto e de caráter, movido pela paixão.



O barulho da ignição do ônibus faz o coração de Beto bater mais forte, enfim em poucas horas irá encontrar Fernanda pela primeira vez, era uma mistura de medo e ansiedade misturados a excitação do desconhecido. O ônibus começa a movimentar-se e um friozinho na barriga faz com que perca o apetite, então fecha o saco com alguns pães de queijo ainda dentro, tampa sua garrafa de refrigerante e guarda tudo na bolsa à frente de sua poltrona. Coloca sua poltrona na posição vertical e procura o sinto para afivelar, quando por um segundo percebe o que esta fazendo - Ai ai ai, força do hábito, você esta dentro de um ônibus seu bobo e não de um avião - pensa Beto balançando a cabeça negativamente com um sorriso bobo na cara.



Então reclina de volta sua poltrona, abre o descanso para os pés, aperta o cinto de segurança, fecha os olhos e se aninha em sua poltrona confortável se preparando para as longas cinco horas de viagem que ainda tem pela frente. Quando, de repente, escuta um barulho vindo do seu lado, Matilde solta um arroto enorme e olhando para Beto com a cara mais sem vergonha diz - Ops! Desculpe escapou sem querer! Rapidamente Beto pega seu telefone celular, coloca os fones de ouvido e procura sua lista de músicas já previamente selecionadas para a viagem. Ao som de “Home” de Michael Bublé ele encosta a cabeça na poltrona, coloca os pés no apoio e começa a ditar uma mensagem de texto e envia para Fernanda.


Próximo capítulo " As Malas " - Aguardem



Leia o Web Book desde o começo
Web Book - Eu...Vc - Capítulo 3 Reviewed by Ricardo Leão on 8:36 PM Rating: 5

Um comentário:

  1. Muito boommm, mas to "doida" para que os dois finalmente se encontrem pessoalmente rsrrs
    Fernanda

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