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Crônicas

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Web Book - Eu...Vc - Capítulo 6









Ai meu Deus! Preso no banheiro? Flores estragadas? Flores? Que Flores? Será que ele está trazendo um buquê de flores pra mim? Mas por que ele iria ao banheiro e ainda levaria as flores? E como alguém fica preso no banheiro de um ônibus? Exclama Fernanda em voz alta sendo logo interrompida:

    - O Léo já me trancou no banheiro uma vez!Responde a participativa Júlia, que logo leva um safanão do irmão que se defende dizendo:
    - Pare de mentir guria! Você se trancou no banheiro sozinha! Eu tranquei você foi na casinha do Tobby, aquele vira lata sarnento que você trouxe pra casa! 
    - Leonardo Torres! Que história é essa? Pergunta Fernanda virando-se para trás e já olhando diretamente para Léo.
    - Ah, mãe! Ela tava se fingindo de cachorra e pedia pra eu jogar o osso pra ela pegar, mas aí depois ela começou e me morder e não queria parar, então eu falei: – Cachorra malvada vai já pra casa, você está de castigo! — E ela obedeceu! E quando entrou na casinha  me pediu pra fechar a portinha... Fechei!Responde Leonardo com uma carinha de santo.
    - É verdade mãe! Mas ele não deixou levar o osso pra dentro da casinha, do mesmo jeito que você faz quando põe o Tobby de castigo.
    - E onde a Maurília estava nessa hora? Pergunta Fernanda sendo logo interrompida por Aninha.
    - Alôôôuu! Desculpe interromper os assuntos caninos da família, mas dá pra compartilhar o que está acontecendo?
    - Depois nós vamos conversar baixinho seu Leonardo, viu? Fernanda vira-se para Aninha e olhando para o celular meio que sem saber o que fazer responde:
    - O Beto! 
    - O que tem o Beto? Pergunta Aninha já agoniada.
    - Ele disse que está preso no banheiro com flores estragadas. Eu não tô entendendo nada!
    - Então para de ficar olhando pra esse celular com essa cara de tonta e liga pra ele.
    - Isso, isso mesmo! Vou ligar... Não! Não, ligar não! Vou mandar uma mensagem de texto.

Começa então a digitar sua mensagem de texto, enquanto Aninha com um olhar de perplexidade assiste aquela cena, não entendendo bem a reação de sua amiga. Quando por fim, Fernanda fecha seu celular e fala: – Pronto mandei!

Aninha fica encarando em silêncio Fernanda, com os olhos arregalados, as sobrancelhas e as mãos levantadas, com uma cara do tipo “o que esta acontecendo aqui?”

    - Que cara de pastel é essa Aninha?
    - Pastel? Só se for de vento! Porque eu tô voando aqui... Você pode me explicar por que mandou uma mensagem de texto ao invés de ligar? Isso é algum ritual de relacionamentos pela internet que eu não saiba? Tipo é proibido telefonar para o noivo antes do primeiro encontro, então só pode mandar mensagem de texto para não dá azar?
    - Ai Aninha! Você complica tudo, eu só mandei uma mensagem de texto, vai que ele tá ocupado fazendo alguma coisa?
    - Preso no banheiro? Ele não pode estar fazendo muita coisa... Pensando melhor, me responde uma coisa: − Há quanto tempo ele está sem “ver” uma mulher mesmo?
    - Argh! Lá vem você falando besteira! Que coisa, que idéia fixa! Você só pensa nisso o dia todo? E vamos parando com isso. Daqui a pouco a mamãe liga reclamando que o almoço está esfriando.

Fernanda engata a marcha do carro, olha para os dois lados da rua e segue em direção a casa da mãe, quando Aninha acostumada a não deixar pergunta sem resposta acrescenta:

    - Bem... O dia todo não, mas a noite quando não estou pensando, eu estou fazendo...
    - Dá pra mudar de assunto, sua tarada? Responde Fernanda com um olhar de “vou te matar”, interrompida logo por uma pergunta vinda do banco de trás.
    - Mãe, o que é tarada? Pergunta a curiosa Júlia.
    - É alguém que gosta muito, mas muito mesmo de uma coisa e pensa nisso o dia todo. 

Fernanda já agoniada aproveita o início de uma música que começa a tocar no carro para aumentar o volume e falar: – Adooooooooooro essa música! Para espanto da amiga que não se contem e pergunta:

    - Kate Perry? I Kissed a Girl? Você só pode estar de sacanagem comigo!

Fernanda vira-se para Aninha, morde o cantinho da boca e logo em seguida passa a ponta da língua sensualmente pelos lábios superiores, disparando uma cara bem sexy e diz:

   - Humm! Tem certas coisas que não se conta nem para sua melhor amiga!

Fernanda cai na gargalhada ao ver a cara de espanto de Aninha, que dando um jeito de não ficar pra trás, logo entra na brincadeira, começando a cantar a letra da música em um microfone improvisado com a garrafa de tequila ao mesmo tempo em que ensaia uma dancinha sensual. E seguem animadas cantarolando em direção a casa da mãe de Fernanda. Já quase no final da música toca o celular de Fernanda que ao olhar no visor vê que é  Beto chamando, então diminui o volume do rádio para atender.

    - Oi amor, tudo bem? 
    - Agora sim, já me livrei da prisão em que estava e estou respirando ar puro.
    - Eu não estou entendendo nada de suas mensagens, que flores estragadas são essas?

Nesta hora, Fernanda olhando pelo retrovisor do carro percebe que Paulinho se aproxima em sua moto e rapidamente abaixa o celular para que ele não veja e reclama:  – Isso só pode ser perseguição, esse cara está me seguindo! No mesmo momento em que Beto em vão explica sobre as flores estragadas.

    - Oi meninas, que mundo pequeno hein? – enxergando as malas Paulinho completa – Vão viajar? Pra onde?
Fernanda faz de conta que Paulinho não esta ali, mas logo vem a resposta do banco de trás:
    - A gente não vai viajar não, é só a mamãe e a tia Aninha. Elas vão encontrar o namorado dela. Responde a elétrica Júlia.

Fernanda então se vira para Paulinho falando:  – Desculpe senhor policial, mas não se deve falar com alguém com o carro em movimento, isso pode causar algum acidente. E acelera o carro para logo poder voltar a falar com Beto.

    - Oi amor, me desculpe é que passou um policial e tive que abaixar o celular para não levar uma multa.
    - Você esta dirigindo? Então nos falamos depois, mas está tudo bem por aqui e estou em muito boa companhia.
    - Tudo bem já estou perto da casa da mamãe, vamos almoçar e depois eu pego a estrada. Vou ficar te esperando na rodoviária.
    - Ok! Depois nos falamos. Beijos – Responde apressadamente Beto.
    - Tá bom L, Beijos. Tchau!
    - Tchau!

Fernanda desliga o celular, vira-se pra Aninha com um olhar assustado e diz.

    - Ele não disse “eu te amo” ao desligar, e ainda falou que está em ótima companhia...    
    - Calma mulher! Um surto de cada vez! O que escreveu na mensagem que enviou para ele?
    - Eu disse, “ Posso te ligar?”
    - Como assim? E o ritual? Realmente eu vou morrer e não vou te entender – responde Aninha achando graça. Agora me explica, por que abaixou o celular quando o Paulinho parou aí do lado? Ele não ia te aplicar nenhuma multa.
    - Ah! Ele é um chato! Fica me ligando o tempo todo, não quero que fique escutando minhas conversas.
    - Na boa amiga, acho que não tem que dar satisfação da sua vida amorosa para o Paulinho nem para ninguém e principalmente ficar se escondendo com se isso fosse um crime, e se coloca no lugar do Beto, você acha que ele não escutou nada?
    - Não!!! Eu tomei o cuidado de colocar o dedinho no buraquinho aonde fala. E por falar em buraquinhos falantes – Fernanda ajeita o retrovisor para poder enxergar Júlia – Quantas vezes eu já lhe disse dona Júlia Torres que é falta de educação uma criança se meter na conversa de adultos, hein?
    - Muitas vezes! L Desculpa mãe – Responde Júlia com aquele beiço pulado da boca e acompanhado pelo seu famoso olhar de cachorro abandonado.
    - E cadê o Léo? Está nesse carro?
    - Tô! – Responde Léo sem tirar os olhos do videogame e com um tom meio triste de quem tá sabendo a bronca que vai levar pela travessura feita com a irmã.

   - Pronto! Chegamos! Vamos saindo rapidinho, entrando já na casa! E não se esqueçam de dar um beijo na vovó, e depois direto pra mesa almoçar uma comidinha bem gostosa que ela preparou com todo carinho para vocês!

Léo sai primeiro, meio de cabeça baixa, meio que se arrastando, meio que contrariado. Para ele aquilo tudo era um saco e não via a hora de se trancar no quarto para jogar o novo jogo, que ganhara de sua mãe com o intuito de que os cincos dias na casa da avó não fossem tão entediantes. Logo depois a saltitante Júlia pula no colo da mãe enchendo-a de beijos ao mesmo tempo em que cochicha baixinho no ouvido dela: – Mãe, não briga com o Léo não, tá? Ele me trancou na casinha porque eu pedi tá? Certo que ele não me deixou levar o osso, mas deixou o potinho de água do Tobby pra eu beber.

Fernanda sorri, coloca Júlia no chão, que sai correndo em direção a porta da casa enquanto Aninha já está com as malas das crianças na mão. Ambas se dirigem a entrada quando Aninha vira-se pra Fernanda e já percebendo o semblante tenso da outra diz: – Você acha que um carinha viaja milhares de quilômetros só para te encontrar e de repente deixou de te amar só porque ficou preso no banheiro?

As duas entram na casa, primeiro Aninha logo seguida por Fernanda.

    - Olá dona Lurdes Maria, há quanto tempo não nos vemos! Nossa! Como a senhora está mais gata, nada como ter uma filha cabeleireira hein? Fica sempre na moda, super fashion esse seu cabelo, adorei! Aninha provoca Lurdes que gosta de ser chamada por Lurdinha.
    - Oi Aninha, como você está? Já criou juízo? Provoca de lá Lurdes.
    - Que nada Lurdes Maria, juízo demais não faz bem!
    - Você nunca vai tomar jeito mesmo menina!Resmunga Lurdes.
    - Deus lhe ouça Lurdes Maria, Deus lhe ouça!... Nossa! Pelo cheiro delicioso no ar, já sei que a sua famosa lasanha é o prato do dia. A que horas sai esse almoço?
    - Almoço é ao meio dia, já são quatro horas da tarde!
    - A culpa é toda minha, acabei atrasando no trabalho, perdi um tempão tentando me livrar de um cliente que não largava do meu pé. Desculpem-me!
    - Fazer o que, né? Vou colocar a lasanha no forno que já está quente, esperando vocês há uma hora. Melhor eu me apressar porque parece que minha filha não come há meses, não sei como ela aguenta em pé de tão magra.
    - Oi mãe, estou bem, obrigada por perguntar. Ah! Eu te amo também!Fernanda dá um abraço e um beijo enquanto sua mãe continua a reclamar.
    - Tá que é só osso!
    - Vai mãezinha, acelera esse almoço aí, não gosto de dirigir à noite. Quando voltar prometo passar uma tarde inteira aqui só escutando você falando o quanto estou gostosa...
    - Tá bom! Deixa eu ver minha lasanha, assim que estiver pronta eu chamo vocês.

Logo que Lurdes entra na cozinha, Aninha pega Fernanda pelo braço e a carrega a força pra sala, falando: – Precisamos conversar! 

    - Sua mãe não sabe nada mesmo sobre o Beto?
    - Não, claro que não! Você está louca, se eu falar ela vai ficar enchendo meus ouvidos com ladainhas.
    - Mas Fernanda, você já é uma mulher feita, tem dois filhos, é independente. Pare de se comportar como uma adolescente pulando o muro para encontrar o namorado.
    - Minha mãe nem sabe o que é internet, imagina se eu contar para ela que conheci um homem no computador, que ele mora em outro estado e que estou indo passar cinco dias em um chalé com ele! Ela vai surtar! Não tô a fim de me aborrecer com ela.
    - Isso tá errado, você tem todo o direito de recomeçar sua vida ou pelo menos vivê-la do jeito que achar melhor e não ficar se preocupando como a opinião da sua mãe.
    - Você sabe qual é a opinião dela, não sabe?
    - Sim, claro que sei, sua mãe é uma pessoa cheia de magoas no coração, nunca teve ninguém depois que separou do seu pai, é claro que ela vai te falar o de sempre. Que todo homem não presta, que não vai funcionar porque ele mora longe, porque ele é mais velho, porque ele não tem filhos, é um aventureiro, etc... Ela vai listar cem defeitos em menos de cinco minutos!
    - Então, eu não tô a fim de escutar isso tudo de novo, já basta o que escutei quando me separei do pai da Júlia.
    - Mas pautar a sua vida em cima do que ela acha só vai dificultar as coisas. Você tem o direito de quebrar a cara, de tentar ser feliz. Não tá vendo, você está trilhando o mesmo caminho que ela, e só tem trinta e cinco anos! Você acha que um homem maduro como o Beto vai querer se envolver seriamente com alguém que esconde ele da própria mãe? Que se comporta como uma adolescente? Que segurança ele vai sentir para acreditar em um relacionamento assim?
    - Ele sabe que não tenho uma boa relação com minha mãe neste aspecto.
    - Tá, mas ele sabe que essa é a razão principal para vocês estarem indo se encontrar em outra cidade?
    - Bem, mais ou menos... Sabe que aqui não teríamos a privacidade que teremos em Treze Tílias, sem falar que lá é uma cidade muito mais romântica.
    - Amiga, se ficar só em uma aventura, tudo bem, mas se isso acabar em um relacionamento sério, o que eu acho que vai acontecer pelo que já me contou, essa mentirinha de hoje vai virar uma bola de neve amanhã.
    - Ai Aninha você tá parecendo eu, toda preocupada, com isso e aquilo, não é você quem vive me dizendo pra curtir a vida? Aliás, a gente nunca se viu pessoalmente, nos apaixonamos pela internet, isso tudo é muito novo pra mim, eu não sei o que vai acontecer. Se vamos combinar, se eu vou gostar dele ou ele de mim. Depois eu vejo o que fazer, agora já é tarde, daqui a pouco ele vai chegar... Ai!... Sei lá!... Não quero pensar nisso agora.
    - Bem... Você tá complicando o que era pra ser simples e colocando dúvidas e medos onde deveriam apenas existir certezas... Ai... Quer saber?... Eu ainda não sei por que eu “ainda” tento convencer você de alguma coisa. Nunca vi mulher mais teimosa. Você é uma mula! Uma mula nariguda!
    - Esqueceu de falar que sou uma mula linda, charmosa e gostosa – brinca Fernanda.
    - E as crianças? Você não acha que elas não vão dar com as línguas nos dentes?
    - Calma eu já conversei com elas, falei pra ficarem de bico calado, boca de siri, para não tocarem no assunto com a avó delas... Além do mais, quer saber? Minha mãe não é boba, já está toda desconfiada, mas não vou falar nada para ela, se ela quiser que me pergunte.
    - É uma mula mesmo, desisto!
    - Vai dar tudo certo! – Afirma Fernanda dando uma piscadela e soltando um sorriso sedutor pra cima de Aninha.
    - Não vem me mostrando estes dentes aí, senão eu enfio uma cenoura no meio deles! Ui!...já pensei besteira. Melhor ir ver se essa lasanha já esta pronta, estou ansiosa para ver logo o desfecho desta história.

Aninha levanta indo em direção à cozinha e deixando Fernanda com seus pensamentos em Beto. Ela não consegue projetar nada para o futuro, aquela parecia a melhor solução que encontrara para seu encontro. Havia tentado marcar outro encontro em uma feira de estética que aconteceria em São Paulo, assim poderia unir o útil ao agradável, sem levantar desconfianças ou ouvir as lamúrias de sua mãe, mas Beto não queria esperar tanto tempo para conhecê-la, ele entendia a importância do momento, que uma paixão tão arrebatadora e fora dos padrões teria que ser vivida com a mesma intensidade com que fora criada. Entendia que cada dia a mais que demorassem a se encontrar, mais próximos da realidade estariam. Aquele era um amor pra se viver nas nuvens e não com os pés no chão...Foi quando ela recebeu um email de Beto com a passagem que havia comprado, e em anexo uma única mensagem. “Não é hora de acordar, é hora de voar, estou chegando. “Eu...Vc”
 
    - Alôooo! Ô mula sonhadora! Acorda! Já te chamei três vezes e você nem respondeu.
    - Ai Aninha! Você cortou meu barato, estava aqui viajando, longe...
    - Pelo menos estava pensando na primeira noite de amor selvagem entre vocês?
    - Bah! Você é uma corta tesão mesmo, só pensa nisso! Vamos lá almoçar, tô morrendo de fome! Fernanda se levanta e vai até a cozinha, deixando Aninha na sala com uma cara de ponto de interrogação.
    - Eu juro que não captei essa, o que será que ela entende por tesão? Resmunga Aninha.

O Almoço transcorria normalmente, apenas acompanhado por um silêncio nada habitual naquela família barulhenta, afinal não era domingo, dia que todos se reúnem para contar as fofocas da semana, e implicar uns com os outros. Leonardo estava comendo no quarto junto a seu inseparável amigo videogame, apesar dos eternos protestos da avó, que achava que lugar de comer é na mesa. Júlia meio que comia meio que brincava com a comida, levantando o garfo bem alto até que o fio de queijo derretido se rompesse, só então levava a ponta do fio à  boca, abaixando em seguida com todo cuidado para que o pedaço de lasanha preso no garfo não caísse. Como sempre a primeira a acabar, como sempre nunca comia tudo o que estava no prato, como sempre a primeira a levantar e correr para perto de Léo.

    - Mas então minha filha, sobre o que mesmo é esse curso que você vai fazer?
    - Eu já tinha lhe dito... Um curso de corte do estilo llongueras. É o que está na moda hoje e preciso sempre estar atualizada, você sabe disso. Responde Fernanda enfiando em seguida uma garfada enorme de lasanha na boca.
    - E por que está levando a Aninha a tiracolo?
    - Eu vou cuidar da sua filha para que não se meta em nenhuma encrenca por lá!  Responde Aninha ao ver que Fernanda parecia entalada com a lasanha.
    - Esse é o meu medo...Resmunga Lurdes.
    - Hummm... Mãe... – reclama Fernanda ainda com a boca cheia – Deixa de implicar com a Aninha, eu tô levando ela para me fazer companhia, só isso! E falando nisso, vamos botar o pé na estrada Aninha, não quero dirigir à noite e o caminho é longo! Declara levantando da mesa logo em seguida.
    - Mas... Mas... Mas... Eu tô terminando a minha lasanha!
    - Vamos sua gorda, vou me despedir das crianças e te espero no carro – Fernanda dá um beijo na mãe agradece a comida e vai para o quarto onde estão as crianças.

Aninha continua a saborear a deliciosa lasanha apesar de Lurdes estar calada e olhando fixamente para ela como se tentasse adivinhar o que estava acontecendo, mas Aninha disfarça com sua carinha de sonsa e a única coisa que fala é: – Hummm... Que delícia! – a cada pedaço de lasanha que põe na boca.

Logo Fernanda volta à cozinha dando um beijo e um abraço na mãe, agradece por ela tomar conta das crianças, e avisa que o celular estará o tempo todo ligado e pede que qualquer coisa que aconteça com as crianças, que ela ligue, por favor. Em seguida, pede a Aninha que se apresse: – Ô! Pastel de vento, estou no carro te esperando, se demorar muito vou sozinha, pára de comer! Ainda tenho que passar no posto para abastecer o carro e checar o óleo, Anda... Anda... Anda!

Aninha apressadamente empurra o último pedaço de lasanha boca adentro, e levanta-se da mesa indo em direção ao banheiro, mas não sem antes ouvir um comentário de Lurdes:

   - Sabe Aninha, essa menina acha que eu sou boba, eu sei que vocês estão me escondendo algo.
    - Hummm... Lurdinha...  – ainda com a boca cheia – tem nada rolando não, sua filha já é uma mulher feita e sabe o que faz, confia no taco dela tá? Agora vou correr porque ela está me esperando no carro, e sabe como ela é agoniada, não sabe esperar nada, parece que nasceu de sete meses! Levanta-se limpando a boca com um guardanapo, dá um beijo na testa de Lurdes e completa: – Sabe que amo sua lasanha, e não vou ficar nada triste se quando voltarmos tiver outra pronta me esperando!

Ao notar que Fernanda está dentro do carro e com o motor ligado, Aninha dá uma passada rapidinha no quarto das crianças e cochicha algo no ouvido de Júlia que sai correndo em direção ao carro para falar com sua mãe. Enquanto isso ela ganha tempo para pelo menos escovar os dentes.

    - Mãe! Mãe! Mãe! – Grita Júlia chamando a atenção de sua mãe.
    - O que foi minha filha? O que aconteceu? – Fernanda responde assustada.
    - É verdade que você é uma tarada?
    - Por que você acha isso filhota? 
    - Uai mãe, você disse que tarada é uma pessoa que pensa muito, muito, muito, o dia todo, o tempo todo em uma coisa, né? 
    - Sim eu disse! E já intrigada com a curiosidade da menina completa: – Mas o que isso tem a ver? 
    - Então... você é tarada pelo Beto! Porque você não para de falar nele né?
    - Isso é coisa que a sua tia Aninha colocou na sua cabeça, não foi?Pergunta rindo muito da carinha de curiosidade da filha.
    - É, mas foi você quem disse que tarada é... – Júlia é logo interrompida por Fernanda que fala pausadamente.
    - Filhota, o Beto não é uma coisa, é uma pessoa... Eu disse uma coisa, lembra?
    - É verdade mãe...
    - Agora volta pra casa que mamãe tem que ir, vou sentir muitas saudades suas e pra matar essa saudade eu vou te ligar todos os dias, mamãe te ama! 

Fernanda dá um beijo em Júlia que segue serelepe de volta a casa; no caminho encontra Aninha que a abraça e também lhe dá um beijo.

Ao entrar no carro Aninha nota que Fernanda está digitando uma mensagem para Beto, mas não se contém e dá uma cutucada na amiga.

    - Olhá só! Se atrasarmos a culpa já não é minha, já tô aqui esperando e você aí enrolando com essa mensagem para o cara!
    - Tarada é? Deixa eu acabar essa mensagem aqui que já vou te mostrar do que a tarada é capaz de fazer! Fala desferindo um olhar fulminante para Aninha e ainda completa: – Você não perde por esperar, você me paga!
    - Vamos mulher, anda logo com essa mensagem, essa história já tá parecendo novela das oito e ainda quero saber detalhes desse plano maluco que você não me contou direito, quero saber em que fria você esta me metendo.
    - Pronto! Mensagem enviada! Seja o que Deus quiser!


Próximo capítulo " Sete horas " - Aguardem


Web Book - Eu...Vc - Capítulo 6 Reviewed by Ricardo Leão on 12:46 AM Rating: 5

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