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Crônicas

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Perdi Minha Carteira!













Putz! Não acredito, eu perdi minha carteira! O pior de perder uma carteira é quando você descobre que perdeu bem na hora que você vai procurá-la para pagar alguma coisa, você fica no mínimo com uma cara de caloteiro. E o olhar que o taxista me deu pelo retrovisor bem na hora que eu soltei a frase anunciando a minha descoberta? Fulminante! Acho que por alguns segundos ele amaldiçoou toda minha família, mas a agonia do sortudo motorista não durou muito, pois felizmente eu não estava sozinho, o que me remete ao inicio de tudo.

Quando você mora no Rio de Janeiro, acaba virando referência para parentes distantes, amigo que não vê há muitos anos e tem sempre aquela pessoa que você mal lembra o nome, só viu uma ou duas vezes na vida, trocou uma meia dúzia de palavras, mas ela te considera um amigo de infância. Inevitavelmente você acaba virando guia turístico durante a estada de seu hóspede. Indica a ele bons restaurantes, acompanha pra tomar um chopinho em um clássico boteco carioca, leva para o famoso, animado e exprimido passeio de metrô, caminhadas pelos calçadões das renomadas praias cariocas com parada obrigatória para tomar água de coco e claro não tem como evitar os clássicos, Maracanã, Pão de Açúcar e Cristo Redentor.

Era o último dia de visita de meu hóspede, logo teríamos que escolher apenas um destino dentre os clássicos, como não era dia de jogo, Maracanã estava fora de questão, então o Cristo era nossa primeira opção. Lembrei que o Cristo estava de camisinha, em reforma, mesmo assim a vista de lá é maravilhosa, então liguei para saber o preço e logo fui informado que o trem que leva ao topo não estava operando devido às fortes chuvas, a educada moça também me informou que apenas vans credenciadas poderiam nos levar a nosso destino e que elas partiam do Parque da Quinta da Boa Vista e prontamente me deu o numero telefônico do parque. Liguei para saber o horário, preço e local, quando fui informado que as vans não mais estavam saindo de lá, teria que ir as Paineiras em frente a tal hotel, mas que apenas taxis estavam autorizados a entrar, pois devidos as fortes chuvas o acesso estava difícil, com queda de barreiras, árvores, etc... Foi quando interrompi a moça e falei – eu só quero fazer uma visita ao Cristo, não to querendo participar do “No Limite”. Educadamente agradeci por ter me informado de todos os obstáculos da prova, mas não tinha interesse em participar. O Cristo já estava com problemas demais, em reforma, pichado, com seus acessos bloqueados, não ia sentir falta de dois fiéis, aquilo me pareceu um sinal, vá para o Pão de Açúcar.

Antes de sair tive que passar aquelas instruções básicas de sobrevivência no Rio de Janeiro. Nada de relógio ou jóias, saia com pouco dinheiro no bolso, câmera fotográfica só no local, preste sempre muita atenção e nunca reaja em caso de assalto. Bala perdida? Se achar uma pode ficar com ela. Já com meu hóspede devidamente aterrorizado partimos para nosso destino.

Tudo certo, cinqüenta “gringos” amontoados dentro de um bondinho segurado apenas por um cabinho de aço a caminho do topo do morro. Três minutos depois cinqüenta “gringos” com cara de bobos, impressionados pela vista maravilhosa chegam ao topo do morro. Incrível como a sensação de paz e tranqüilidade vai aumentando conforme o bondinho vai subindo, parece que seus problemas ficaram lá em baixo, e lá em cima só é permitido pensar em coisas boas e bonitas. O astral é outro e a beleza é o tema das conversas entre as pessoas que por lá circulam com suas câmeras fotográficas tentando capturar, nos mais diversos ângulos e posições aquele sentimento de felicidade. Deve ter sido na tentativa de conseguir aquela foto única no lugar mais improvável, da maneira mais absurda que eu, um fotógrafo metido a profissional, com minha câmera totalmente amadora devo ter deixado a carteira cair. Para alongar mais ainda o tempo da descoberta ao descermos do Pão de Açúcar, resolvi dar uma caminhada pelo charmoso e elegante bairro da Urca antes de pegar o taxi.

Putz, eu perdi minha carteira! Depois de procurar mais de dez vezes nos mesmos bolsos inclusive nos pequeninos na esperança de ela ter encolhido e se escondido lá, realizei o fato. Meu hóspede pagou a corrida. Entrei em casa e fui direto ao telefone para cancelar os cartões de créditos. Nem precisa falar né?  Você já tentou cancelar alguma coisa no Brasil por telefone? Um bom tempo depois, enfim, consegui! Aquela sensação de alívio e vitória por ter conseguido sobreviver àquele enorme questionário sobre minha vida se misturava com a frustração e o desanimo ao pensar no trabalho enorme em tirar a segunda via de todos os documentos. Quando aquela voz ao meu lado faz uma pergunta. “Por que você não liga para o bondinho, talvez tenham achado sua carteira?” Então calmamente me virei e perguntei se tinha idéia em que cidade estava? A possibilidade de recuperar sua carteira na cidade do Rio não existe, ainda mais onde estávamos, em um lugar turístico cheio de gente, a minha carteira deveria estar em uma lata de lixo a essa hora. Depois de muito insistir eu acabei cedendo e resolvi ligar. Uma bela voz feminina atendeu ao telefone e me passou para o setor, então perguntei. “Estive aí há poucas horas e perdi a minha carteira, você saberia me informar se acharam alguma carteira?” Então ela perguntou meu nome completo, após alguns longos segundos veio à resposta mais inimaginável possível. “Sim, sua carteira foi achada e está aqui na portaria, você pode vir pegar até as 18h30min”. Inacreditável, aquilo era surreal demais, mas tinha que ir lá pra ver se era verdade. 

Como já estávamos na hora de ir para o aeroporto aproveitamos o mesmo taxi e no caminho paramos no Pão de Açúcar. Subi por uma pequena escada até chegar à portaria onde me identifiquei, a bem educada moça tirou minha carteira da gaveta e me entregou, o segurança que estava ao lado pediu que eu conferisse se estava tudo correto dentro da carteira, enquanto isso a jovem moça abria um livro de protocolo de entrega. Abri a carteira, mas ela não parecia minha carteira, estava toda organizada super arrumadinha. Ao Notar meu espanto o segurança informou que eles olharam tudo que continha para que pudessem preencher o protocolo de entrega e tudo tinha sido filmado, me apontando para uma câmera de vigilância na sala, e completou dizendo que caso preciso fosse o vídeo estaria a minha disposição. Voltei os olhos para a carteira e verifiquei que esta tudo lá, nem o dinheiro levaram, e ainda por cima arrumadinha.  Uau! Me senti por um momento em outra cidade, algum lugar de primeiro mundo, pensei em Londres, foi quando ouvi aquela voz atrás de mim falando. “Pô cara! Você deu sorte mexxxxxxmo, seu santo deve ser forte” Nada como o inconfundível sotaque carioca pra te trazer a realidade. Assinei o protocolo e agradeci, tinha acabado de viver uma experiência única na minha vida.

No caminho do aeroporto desde o taxista passando pelos parentes mais próximos e alguns amigos com quem falei, todos foram unânimes em suas opiniões. Muita sorte, anjo da guarda ou milagre. Eu preferi acreditar que ainda existem pessoas educadas nesse mundo. 

Estávamos próximos a entrada do Túnel Rebouças e seus dois mil e oitocentos metros escavados em rocha vida, quando dei uma olhadinha para o encamisado Cristo e pensei – ainda bem que fomos ao Pão de Açúcar, será que eu encontraria minha carteira no Cristo? 

Chegamos a tempo de pegar o avião, então despedi de meu hóspede, ele agradeceu o tempo que passou em casa e comentou que tinha gostado muito do Rio, e que voltaria em breve com a família! – Ui!... Pronto! Missão cumprida, hora de voltar pra casa. Ao passar pela porta do aeroporto, me deparei com o ônibus tipo “frescão” que passava bem perto de casa, mas antes cruzaria todo o Rio de janeiro. Ainda com o gostinho de turista queria aproveitar pra dar uma olhadinha pela cidade de uma maneira diferente e como precisava economizar dinheiro até que o novo cartão do banco chegasse, aquela foi minha escolha.


Escutando minha seleção musical, fui curtindo a viagem e prestando atenção em pedaços da cidade que normalmente passariam despercebidas em outra ocasião. Ao passar na frente do Pão de Açúcar pensei – Nossa como é bonito lá em cima, está aí todos os dias e nunca dei muita bola pra ele, mas certamente quando precisar elevar minha alma e deixar os problemas aqui em baixo voltarei. Uma hora e meia depois, com o ônibus quase vazio, chegava minha hora de encerrar meu passeio turístico. Levantei, me dirigi ao motorista e pedi que parasse na rua mais próxima a minha casa, quanto subitamente alguém me cutuca nas costas, meio desconfiado olhei para ver quem era e notei que outro passageiro estava com as chaves da minha casa não mão. – Você deixou cair, disse ele. Totalmente sem jeito, agradeci muito, e desci do ônibus, ainda tinha que caminhar um pouco e ao virar a última esquina que levaria a minha casa, notei no horizonte o Cristo Redentor iluminado na escuridão da noite e então falei baixinho. – Mesmo encamisado olhai por nós!

Na dúvida, joguei na megasena no outro dia!
Perdi Minha Carteira! Reviewed by Ricardo Leão on 6:35 AM Rating: 5

4 comentários:

  1. se ela estiver recheada e eu achasse nâo te devolvia era minha, mas se tivesse os documentos te entregaria na hora kkkkkkkkk um cheiro Ricardo.

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  2. Muito legal, vc tá ficando muito bom nisso garoto.
    bjs
    Fernanda

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  3. Que azarado mais sortudo do mundo...rs
    Beijo da El@INE

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  4. Nossssaaaaaa fikei impressionada com a sua história e me fez voltar alguns anos atras e lembrar d todos os passeios turisticos q já fiz na cidade maravilhosa e olha:ainda não fui ao Cristo...rsrsrs
    Comecei lendo achando q era uma pekena piada e me deparei com uma grande história belíssima...
    Parabéns e q Deus continue t protejendo.
    Dadá_ramos

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