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Crônicas

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Web Book - Eu...Vc - Capítulo 7









“Oi, eu posso te ligar? Beijos! Eu...Vc”


Ao retornarem para as suas poltronas, Beto percebe a mensagem em seu celular, vira-se para a ansiosa Matilde que está louca pra ouvir a história prometida e diz:
   - Matilde, eu acabei de receber uma mensagem da Fernanda, vou dar um retorno e depois vou cumprir a minha promessa e te contar minha história.
   - Tudo bem, pode deixar, eu vou ficar quietinha aqui. Não vou dar um pio! Mulheres são ciumentas, imagina se ela escuta minha voz aqui do seu lado! Ui! Liga lá, e faz de conta que eu nem estou aqui...
   - Obrigado você é muito gentil e pensa em tudo! – Responde Beto achando graça com a preocupação de Matilde. – ao mesmo tempo em que pega seu celular do bolso e liga para Fernanda que não demora a atender o telefone.


   - Oi amor, tudo bem?
   - Agora sim, já me livrei da prisão em que estava e estou respirando ar puro.
   - Eu não estou entendendo nada de suas mensagens, que flores estragadas são essas?
   - Depois eu te explico melhor – Responde Beto sorrindo e olhando para Matilde – então... fiquei preso no banheiro, mas agora estou livre graças a pessoa que está sentada ao meu lado. Só mandei a mensagem para brincar com você, descontrair um pouco, porque sei que está nervosa. Fica tranquila tá? Confia no seu coração e acredita que de hoje em diante só teremos momentos felizes, te quero sempre ao meu lado tá? Não esquece que eu já te amo, e como falamos isso será um RE-encontro, e vamos matar a saudade. Tá bom?
  - Alô? Alô?... Fernanda, você esta me escutando?
  - Aloooooooooo!! – Beto vira para Matilde e diz: – Escuto a voz dela ao fundo, mas ela não me responde!


Matilde já vermelha de prender o fôlego apenas arregala os olhos, levanta as sobrancelhas e faz um bico enorme com a boca ao mesmo tempo em que balança o seu dedo indicador negativamente, querendo demonstrar que não pode abrir o bico. Quando então Beto escuta a voz de Fernanda ao celular.


   - Oi amor, me desculpe é que passou um policial e tive que abaixar o celular para não levar uma multa.
   - Você esta dirigindo? Então falamos depois, mas está tudo bem por aqui e estou em muito boa companhia.
   - Tudo bem já estou perto da casa da mamãe. Vamos almoçar e depois pego a estrada. Vou ficar te esperando na rodoviária.
   - Ok! Depois nos falamos. Beijos!
   - Tá bom! L, Beijos. Tchau!
   - Tchau!


Matilde então solta ao ar presos nos pulmões e brinca com Beto. 


   - Ufaaaa! Pensei que não ia aguentar! Viu? Eu não dei nem um piozinho se quer!
   - Você é uma criança, não precisa disso tudo! – responde Beto soltando um sorriso meio preso, com ar de preocupação.
   - Está tudo bem com ela?
   - Sim, tudo bem! Ela estava falando ao celular e dirigindo, quando passou um guarda, por isso a demora a me responder.


Beto coloca seu celular no bolso e repara pela janela do ônibus que estão passando por um vale lindo coberto por uma plantação de pequenos arbustos, não maiores que setenta centímetros com folhas verdes largas, mas no topo de cada um existia uma única folha amarela, como se alguém intencionalmente as tivesse pintando e a soma daquelas inúmeras folhas espalhadas pelo sinuoso vale formavam uma espécie de mosaico, um quadro pintado pela natureza que a cada curva da estrada ia se transformando, nunca tinha visto nada igual em sua vida, então vira para Matilde e fala.
   - Que lugar!... Estou sem fôlego, não consigo parar de olhar! 
   - Este é o vale dos amantes! 
   - Porque dos amantes? – responde Beto sem tirar os olhos da janela e ao mesmo tempo em que começa a tirar algumas fotos.
   - Você já vai entender, não tire os olhos da janela e preste atenção, vamos ver se consegue adivinhar o por quê?
   - Matilde, você se importaria de adiarmos só um pouco nossa conversa? Pois gostaria de contemplar esse lugar – Ao mesmo tempo em que abaixa a sua câmera fotográfica, entendia que aquele momento era para ser guardado na memória.
   - Claro que sim! Beto curte seu momento, mas não pense que vai fugir da conversa, hein?
   - Tá bom! Obrigado. – Responde em um tom meio aéreo – Esse lugar me faz lembrar alguém!


Matilde apenas dá um sorriso sem falar nada, enquanto Beto coloca os fones de ouvido procurando a música perfeita para aquele momento. Ele reclina sua poltrona e com um olhar vidrado e distante começa a escutar – All i ask of you – enquanto procura não perder nenhum detalhe daquele momento mágico e logo no segundo seguinte seus pensamentos já estão em Fernanda e no dia em que se conheceram.


Era uma segunda-feira de Carnaval, Beto esperava por uns amigos que após muito insistirem o convenceram a ir a um baile em um clube onde seria apresentado a uma mulher que estava super interessada nele, uma espécie de encontro às escuras, promovido por um amigo cansado de ver Beto apenas se envolvendo em relações superficiais. Havia dito que era uma linda mulher, super inteligente, culta e de sorriso encantador e continuara a descrevê-la, morena com cabelos longos e ondulados, um pitelzinho como diria meu avô! Trinta e sete anos, separada há dois anos e... sem filhos! Perfeita pra você! E sabe qual a melhor parte? Você nunca mais vai precisar ir a um médico... Ela ainda por cima é médica! Desta vez eu te desencalho amigo!


Beto não é chegado a baladas, sempre foi de atuar nos bastidores, a ideia de ser o foco das atenções não era a sua praia, mas além de atender ao apelo do seu amigo, seu coração sentia-se muito solitário e resolveu então enfrentar a timidez e encontrar a tal moça.


Sentado à frente de seu notebook com sua garrafa de cerveja Heineken na mão navegava pela internet, esperando as horas passarem enquanto seus amigos não chegavam. Poucos dias antes tinha sido cadastrado contra sua vontade e sem saber pelo mesmo amigo em um site de relacionamentos. Já havia entrado umas duas ou três vezes, feito contato com umas poucas pessoas, mas aquilo não lhe agradava, aquele monte de fotos uma ao lado da outra com suas características físicas e descrições recheadas com traumas de relações anteriores, lhe pareciam muito artificiais e a comercialização do amor o incomodava, sentia-se em uma prateleira de supermercado onde as mulheres primeiro olhavam a embalagem, depois liam as informações nutricionais e dependendo do prazo de validade entrariam em contato com você.


Lá pelo terceiro ou quarto gole em sua cerveja aparece uma mensagem na tela de seu computador, era alguém pedindo para ser aceito em sua lista de amigos de seu programa de mensagens instantâneas. Ele hesitou um pouco pensando que fosse melhor deixar para o dia seguinte, pois a qualquer momento seus amigos estariam chegando, mas sua curiosidade, ajudada pelos goles de cerveja, o fez aceitar o convite. Logo a primeira mensagem chegou.


Fernanda diz:
 - Ola!
Beto diz:
 - Holla!!! J
Fernanda diz:
 - Tudo bem? Você me enviou um email... no site de relacionamentos e resolvi adicioná-lo
Beto diz:
 - Sim! Tudo bem com você Fê?
Fernanda diz:
 - Tudo tranquilo
Beto diz:
- De onde você tecla?
Fernanda diz:
 - De uma cidadezinha na serra catarinense quase fronteira com o Rio Grande do Sul.
Beto diz:
 - De Santa Catariana eu conheço pouco, mas sempre que   possível dou um pulinho em Floripa, tenho alguns amigos por   lá. E como está o clima por aí?
Fernanda diz:
 - Chovendo e um pouco frio
Beto diz:
 - Frio? Jura? Que bom! Então manda um pouquinho pra cá, vai!
Fernanda diz:
 - Não frio, refrescou bastante. Aí ta bem quente né?
Beto diz:
 - Aqui no Rio está muito quente! Ai, sinto falta do friozinho sulista!
Fernanda diz:
 - Eu já estou com saudades do inverno!
Beto diz:
 - Eu prefiro o frio ao calor. Gosto do frio que faz em Floripa.
Fernanda diz:
 - Floripa não é muito frio.
Beto diz:
 - Floripa tem as quatro estações bem definidas, é o que gosto de lá!
Fernanda diz:
 - Imagine aqui... quatro estações muito definidas... rsrsrs.Você é natural de onde?
Beto diz:
 - Eu sou de São Paulo capital, mas já morei em alguns lugares, mas minha paixão é Florianópolis.
Fernanda diz:
 - Verdade? rsrsrs, eu estava indo pra lá amanhã, mas vou ter que adiar um pouco.
Beto diz:
 - Por que? O que foi que aconteceu?
Fernanda diz:
 - Problemas no trabalho. Não tenho como sair agora.
Beto diz?
 - E no que você trabalha?
Fernanda diz:
 - Sou sócia de um centro de beleza, e responsável pela administração e agora não é uma boa hora para sair, tem muita coisa para fazer. E você o que faz?
Beto diz:
 - Sou fotógrafo, mas trabalho como freelancer para algumas revistas.
Fernanda diz:
 - Entendi. rsrsrs. E o Carnaval?
Beto diz:
 - Então... eu não curto carnaval, mas acabei me deixando levar por uns amigos que vão me levar para uma festa, estou esperando eles chegarem.
Fernanda diz:
 - Que pena! Vai me deixar sozinha aqui em pleno carnaval? L
Beto diz:
 - Mil desculpas Fernanda, até pensei em só falar com você amanhã, mas algo me fez aceitar seu convite.
Fernanda diz:
 - To brincando com você rsrsrs. Vai lá Beto, depois nos falamos, eu vou passar o carnaval aqui mesmo, até recebi convite para sair, mas a preguiça falou mais alto. Acho que já passou a minha fase de festas... rsrsrs.
Beto diz:
 - A minha também, não estou mais na fase de sair pra “caçar” com o perdão da palavra. Prefiro ficar em casa, mas é que hoje se eu não for, meus amigos me matam!
Fernanda diz:
 - Tudo bem! Eu entendo!
Beto diz:
 - Bem, mil desculpas de novo, mas com certeza nos falaremos de novo, agora eu já vou saindo, tá? Uma boa noite pra você e um bom carnaval. Um Beijo!
Fernanda diz:
 - Sem problemas, já disse! rsrsrs. Um bom carnaval pra você. Beijos.


Fernanda fecha a janela na qual batia papo com Beto ao mesmo tempo em que solta um suspiro e pensa, “Ai que pena, o papo estava ficando bom”. Estava cheia de esperanças, pois passara algum tempo procurando e testando várias combinações no site relacionamentos na tentativa de achar alguém que fosse compatível com o que ela procurava e sempre como resultado de suas buscas, a foto de Beto aparecia, mas em seu perfil ele deixava claro que gostaria de se relacionar com alguém que morasse na mesma cidade, o que a desencorajou por um tempo e justo na hora em que ela resolve arriscar ele tá saindo pra farra. ”Que íntimo esse Beto, foi logo me chamando de Fê! Hummm... mas não presta pra mim, não gosto de baladeiros” pensou ela, soltando um sorriso meio sem graça sentindo-se um pouco desapontada.


Beto desliga seu notebook, apanha sua garrafa de cerveja e caminha para o sofá tomando o resto que ainda havia, senta-se confortavelmente levantando os braços e espreguiçando o corpo, solta o ar dos pulmões e relaxa, por alguns segundos matem seus pensamentos em Fernanda, mas logo é interrompido pelo celular que toca, seus amigos estão na portaria do prédio a sua espera. Rapidamente coloca seu tênis All Star preto surrado, levanta-se e caminha em direção a cozinha para pegar mais uma garrafa de cerveja, seguem então em direção a porta, abre, mas antes de apagar a luz da casa ele da uma paradinha e olha para seu notebook, com um ar de lamento estampado no rosto. Fecha a porta de casa e vai ao encontro de seus amigos.


   - Já sei Matilde! Esse é a coisa mais real que já conheci em minha vida que se aproxima de um sentimento, não tem como passar por aqui e não pensar em quem se ama – comenta ao observar uma única árvore no meio daquele enorme vale pincelado de amarelo pelo capricho da natureza. Parecia ter sido deixada lá intencionalmente, para que seus enormes e frondosos galhos fornecessem a sombra para acolher um casal que por ali deitasse para descansar e trocar juras de amor.

   - Muitas histórias de amor já foram vividas neste lugar. Dizem que o dono deste lugar deixou aquela árvore ali para lembrar-se de sua esposa, que foi o único amor de sua vida e que depois que ela morreu, ele nunca mais teve ninguém... Comenta a emocionada Matilde já com um lenço de papel nas mãos, enxugando as não contidas lágrimas que caíam de seu rosto.


   - Você acredita em destino? – Pergunta Beto, virando-se rapidamente na direção de Matilde, que chega a assustar-se com o súbito movimento de Beto.


   - Destino? Como assim? – responde com a voz indecisa, ainda tentando de recuperar do susto que levara e completa – Destino assim, tipo... humm... Destino tipo o que uniu a minha cueca virada com seu pão de queijo?


   - Isso mesmo! – Beto responde as gargalhadas – Ai, Matilde você não existe, mas é isso mesmo! Esse mesmo destino que colocou você aqui sentada ao meu lado, uma pessoa que acredita no amor, e que faz de tudo para vivê-lo da maneira mais intensa possível, sem medos. E como caprichoso é esse destino, que coloca você ao meu lado justamente quando estou indo conhecer uma pessoa pela qual me apaixonei perdidamente em uma noite de carnaval e sem nunca ter conhecido ou tocado nela, estou aqui tendo minhas dúvidas sendo esmagadas por cuecas viradas e pães de queijo!


   - Ui, essa eu não entendi direito! – responde Matilde coçando a cabeça – Não a conhece pessoalmente? Eu to te esmagando? Sentei em cima de algum pão de queijo? Como assim?


   - Calma eu te explico! – responde Beto, achando graça da cara de interrogação feita por Matilde! – Uma coisa de cada vez. Deixemos os pães de queijos e as cuecas viradas pra outra hora.


   - Tá bom, já acabaram mesmo! – Responde Matilde dando a ultima golada na garrafa de refrigerante – Agora acabou tudo mesmo! Agora explica como se conheceram?
_ Pela internet.
_ Pela internet? Você se apaixonou por ela pela internet? – Pergunta a espantada Matilde!
_ Sim!
_ E como pode isso?


_ Tá, deixa eu te explicar... melhor ainda... deixa eu te mostrar, tenho a conversa gravada em meu notebook, volta e meia eu re-leio nosso papo pra acreditar no que aconteceu! – Fala Beto ao mesmo tempo em que tira o notebook de sua mochila e coloca no colo de Matilde.


_ Desculpa Beto, mas meu negócio é agulha e linha, não sei mexer nesse troço não!— responde enquanto Beto vai ligando o notebook e abrindo o arquivo que contém o texto!


_ Pronto! Agora é só você ler, melhor do que eu falar. Está vendo estas setinhas aqui! É só apertar pra cima ou pra baixo que as páginas vão subindo ou descendo e não entre em pânico, tá? Esse troço não morde, não dá choque, não quebra fácil e qualquer emergência, eu tô aqui do seu lado pra te socorrer, viu?
Matilde dá uma olhada bem sinistra pra Beto, cerrando um pouco os olhos e fingindo uma cara de raiva diz – Seu bobo! – então começa a ler o texto...




Leio o capítulo "Sete Horas" Inteiro clicando aqui
Web Book - Eu...Vc - Capítulo 7 Reviewed by Ricardo Leão on 7:13 PM Rating: 5

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